domingo, 16 de janeiro de 2011

A Última Deriva - I

Castelo de Vilar Maior.
UUps, onde está o Wally, perdão... o Zé?

Ah, claro, dentro da torre, sempre na esperança de salvar uma donzela

Sítio histórico onde alguém disse "que o céu nos caia na cabeça se..."

Uma grande paixão comum, a fotografia. Nada do apontar disparar a que as digitais nos habituaram. O Zé era capaz de esperar, até que os Deuses lhe fizessem a vontade e enviassem a luz ou o tema.

Auto-retrato do modesto cronista

(em memória do nosso querido cavaleiro de armadura reluzente)

7 comentários:

Teresa disse...

Carlinhos, já te disse de viva voz o quanto estas imagens me emocionaram.
Queremos muitas, muitas mais!

Este espaço agora já não é só nosso, é também de todas as pessoas a quem a ausência do Zé é ferida que vai demorar até ficar suportável.

Maria disse...

Lindo :) Obrigada ...

Matilde disse...

que saudades que saudades...

Teresa disse...

Querida Matilde,
Quando eu tinha 17 anos e andava na Católica, entrei para o grupo de teatro da Universidade. A peça que íamos encenar era Macbeth. O professor que nos dirigia, na fase de distribuição de papéis, mandou-nos escolher um poema e lê-lo em voz alta. Eu escolhi um soneto de Camões, aquele (magnífico) que começa assim (ainda o sei de cor):

«Que me quereis, perpétuas saudades?
Com que esperança inda me enganais?
Que o tempo que se vai não volta mais,
E se torna, não tornam as idades.»

O Prof. Paulo Sendim disse-me só, secamente, que fosse ter ao gabinete dele no dia seguinte às três horas. E eu, sem perceber nada, lá fui.
E fui atacada em grande. Por que tinha escolhido a1quele soneto? Era só uma miúda de 17 anos, aos 17 anos ainda não se viveu nada, não há nada de que ter saudades. Expliquei-me o melhor que pude, sem perceber que ele estava apenas a testar-me e a tentar perceber o meu potencial. Ganhei um amigo e viria a ter longas horas de conversa naquele gabinete em que ouvíamos Mozart e Vivaldi. E fui a Lady Macbeth da peça. :))

E tenho uma pena enorme, Matilde, que os seus 15 anos já tenham tido de suportar esta perda tão grande.

Anónimo disse...

Adorei... é mesmo ele, as fotografias do Zé reproduzem tão bem gestos que ele fazia quando tirava fotografias ou estava a espera de alguma coisa, aquele ar impaciente...
Que saudades do Zé.. ainda não acredito que já não posso ligar para ele, não consigo apagá-lo do meu telemóvel!!
Obrigada Carlos

Carlos disse...

Bom sentir-me acompanhado na tão longa amizade que sempre me uniu ao Zé! Um amigo de vida é um irmão a que sempre ficamos ligados por fios invisiveis tecidos na alma. Paradoxalmente desde que desapareceu aparece-me por todo o lado!Tantos denominadores comuns tantos sonhos tantas sementes espalhadas germinando ainda.
E assim é bom não me sentir só na presença desta ausência.Sentir-vos comigo.E sentir que gostam destas aventuras que prometo continuar a contar-vos.
Obrigado

Anónimo disse...

"A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar duram uma eternidade." (Clarice Lispector)

Só me cruzei c/o Indiana Alves uma única vez mas ouvia falar mto dele por alguem q o amava mto. E afinal poderíamos ter-nos conhecido bem:amo o Alentejo, onde nasci, adoro viajar e até fui professora no Camões durante um ano, no tempo do Sérvulo Correia !Obrigada por me deixarem partilhar estas fotos maravilhosas e as emoções q elas contêm!