domingo, 25 de fevereiro de 2007

Jantares houve muitos...

Pois é... Os intrépidos impostores (desculpem, queria dizer exploradores...) insistem em comentar por mail... Aqui fica outra reclamação ontem recebida, desta vez do Carlos:

Agora fui eu que fiquei ciumento. É que tb estava neste jantar mas não tive direito a estas intimidades. Na realidade apesar das queixas do Indiana devo ter sido mas é eu a tirar esta foto.

Carlinhos, ao contrário do que te respondi, já não tenho tanta certeza de que não tenhas estado no jantar da última fotografia. No desta que agora publico ESTAVAS. Dezembro de 1991. Tirada na tua psicadélica cozinha da tua antiga casa, naquela cadeira de barbeiro que lá tinhas (bebemos vinho da Crimeia nesse jantar, lembro-me muito bem), estou com o teu adorável e inesquecível Rossini, um dos gatos mais espantosamente bonitos que vi em toda a minha vida. Um milagre de beleza, uma coisa de cortar o fôlego!

Foi em homenagem dele que pus esta encantadora abertura do La Gazza Ladra, do seu homónimo.

Gostaste?


quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Nem só de desertos vive o Homem...

«Teresinha, os seus blóguios estão cada vez mais originais. Mas porque é que eu nunca apareço nas fotos? Já sei, sou eu sempre a tirar. Quando jantamos? »

(reclamação do intrépido explorador Alves, por mail)
Querido, your wish is my command!
Aqui fica um retrato bem-disposto de nós dois, tirado num jantar em casa da minha irmã Ana, em Outubro de 1989.

E se nunca aparece nas fotos, a culpa não é inteiramente minha: só posso publicar o material que tenho disponível, leia-se as fotos da viagem que os meninos me deram!

E olhe que os comentários devem ser preferencialmente feitos aqui, não se arme em mula!

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

INTERMEZZO - Uma Outra Visão de Marrocos

Como disse aqui no primeiro post, este espaço destina-se a muito mais do que à nossa viagem de 88. É por isso que agora resolvi publicar algumas fotografias da minha primeira viagem, em 84, a tal que foi bastante diferente.

Entrei por Ceuta. Aqui ainda me sentia razoavelmente segura, ainda não tinha encurtado a pega da carteira, cuja fivela em breve passaria para o primeiro furo, para andar bem colada ao corpo e o mais debaixo do braço que fosse possível. Não há volta a dar-lhe, tenho mesmo uma profunda desconfiança em relação àquele país e àquela gente!




Estas duas, se a memória não me falha, foram tiradas perto de Tânger (ou seria Tétouan?...) - um clássico turístico, eu montada num dromedário.






















Numa coisa tenho de fazer justiça a Marrocos: deve ter os gatos mais simpáticos do mundo, o que será provavelmente indício de que são bem tratados. A gente chama-os e eles vêm logo a correr, deixam fazer festinhas, dão marradinhas... Esta amorosidade de poucas semanas foi por mim descoberta nos souks de Marrakech.

Marrakech e a Djema el fna. E eu, a mulher que morre de medo de qualquer rato, por mais minúsculo (até vou passear o lixo ao Linhó desde que me saltou uma ratazana de dentro do contentor aqui do prédio - e os gritos que dei devem ter-se ouvido no Ramalhão), nem sequer pestanejo quando vejo uma cobra. Singularidades da natureza humana...





Com o Joaquim no terraço do Café de France. Lá em baixo a Djema el fna e ao longe o vulto lindo da Koutoubia. Obrigatório ir ao Café de France, nos anos 60 ponto de encontro de gente de dezenas de países, quase todos com o sonho de chegar ao Nepal e a Katmandu. Muitos deles ficaram pelo caminho, alguns mesmo ali em Marrakech - ainda vi uns quantos, principalmente alemães, pobres criaturas destruídas pela droga. Lembrei-me do livro do Michener, claro.



segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Segunda-feira, 20 de Junho de 1988 - 11.º dia

Entrámos no antigo Sahra espanhol ao som de Monday, Monday, dos Mamas & Papas. Achei apropriado, sendo justamente segunda-feira. Este retrato foi tirado pouco depois, numa das incontáveis paragens diárias em que os meninos se entretinham a fotografar os motivos mais absurdos.

Se dei um grande salto no tempo e pus aqui agora esta fotografia foi só para homenagear Denny Doherty, voz linda, que morreu há dois dias.

Estou desculpada, não estou?

Generated by Mp3Realm.org

A Demanda do Alguidar - Parte I



Ai, o alguidar! O que eu penei para ter um alguidar!

Será preciso explicar aos leitores mais desatentos que, na minha categoria de membro da expedição a quem calhavam sempre as tarefas menos nobres, a compra do dito foi uma espécie de ascensão do Inferno ao Purgatório. Palavrinha de honra! Só eu sei o que era fazer incontáveis viagens ao regato com pratos, copos, talheres e demais apetrechos de cozinha nas mãos, pousar tudo nas ervas, ou calhaus, ou o que fosse. Porque a essa hora os meninos filosofavam à beira da fogueira e cá a sqwaw ainda estava de serviço...

Já não sei onde foi que finalmente conseguimos comprar o alguidar, mas este retrato atesta à saciedade a boa compra que foi. O Dr. Carlos Vatel Gomes usa-o para dar banho ao jeep, julgo que já perto de Ouarzazate e depois da descida da montanha - a tal que me ia fazendo morrer de medo. Em boa verdade, se não morri então de ataque cardíaco é porque me está destinada outra morte qualquer. Nota máxima para a condução do Carlinhos à beira daquele precipício (confesso que fechava os olhos a toda a hora), nota máxima para o carinho do Zé, sempre aquele grande senhor, que acabou aquela descida que me pareceu levar séculos aflito do braço esquerdo, tamanha a força que tinha de fazer a segurar-me para que os solavancos me magoassem o menos possível. A famosa contractura muscular que fiz logo ao 3.º ou 4.º dia, quando caí lá no raio das piscinas naturais. E ainda vocês se admiram por eu odiar este país!

No meio daquele pesadelo que foi a descida por aquela vereda de montanha, só me lembro de pensar a toda a hora: Se nos aparece alguma coisa pela frente, nem que seja um burro, ninguém sai daqui vivo!

Lembro-me também, porque nada tem uma força evocativa maior do que a música ou os perfumes, que estava a tocar King Crimson, In the Court of the Crimson King. Que era do Carlos e eu não conhecia - isto de ser perto de 20 anos mais nova tem os seus inconvenientes. Ainda hoje, quando oiço o disco, tenho rápidos lampejos de precipícios na montanha e de rodas do jeep quase a trilharem o vazio nas curvas. A descida foi tão longa que até deu para ouvirmos também o meu Songs of Leonard Cohen, senhor muito cá das minhas obsessões.

Oh the sisters of mercy,
they are not departed or gone.
They were waiting for me
when I thought that I just can't go on.
And they brought me their comfort
and later they brought me this song.
Oh I hope you run into them,
you who've been travelling so long.

Yes you who must leave everything
that you cannot control.
It begins with your family,
but soon it comes around to your soul...

Eu sou tramada, meninos...! Como foi que eu acabei a citar Leonard Cohen quando o tema era um humilde alguidar e a sua grandiosa demanda?

domingo, 21 de janeiro de 2007

Onde terá sido isto tirado?...

 
Confesso que não me lembro.

Perto de Figuig, aquela cidade longínqua e carrancuda perto da fronteira com a Argélia e que parecia um aquartelamento militar?

A ideia de aqui porem os vossos comentários passa também por suprir as lacunas da minha memória...

Se o Guia Michelin visse isto...


Sem comentários. Escusado será dizer que nem sequer entrámos neste pardieiro...